18/out/2009
Revivendo
Por Claudinha Azeredo
Revendo fotos que não tem mais, relendo textos que não tem mais.
Os papeizinhos já não possui mais também.
Revivendo uma idade que já não tem há tempos. Matando uma saudade que jamais deixou de sentir. Relembrando o que aconteceu, imaginando o que deixou de acontecer.
Fazendo o que poderia ter feito, e evitando outros feitos.
Pensando no que poderia ter dito, lembrando o que disse.
Relendo textos que fazem recordar, escrevendo um texto pra tentar esquecer.
Tentando evitar o inevitável. Ouvindo músicas antigas.
Lembrando que o tempo passou, e agora é tarde demais.
Tentando ser otimista e crer que nunca é tarde. Lembrando que sim, é realmente tarde.
Prestando a atenção na letra da música. Tentando fugir disso.
Tola tentativa de fuga! Falsa tentativa de fuga.
Escrever revivendo para substituir a palavra relenbrando.
Sentindo agonia e impotência. Sentindo medo de confessar os arrependimentos.
Ouvindo que “nem foi tempo perdido”. Lembrando do trecho que diz que “o pra sempre, sempre acaba”.
Sentindo frio, lembrando dos dias de calor.
De cara lavada, com sentimentos de um bêbado.
Pensando que poderia ter deixado de fazer certas coisas, lembrando que é impossível mudar totalmente o destino.
Sentindo raiva, por não ter sido a “carta marcada”. Usando a expressão carta marcada para substituir nomes próprios.
Fingindo que nada sente, tentando disfarçar o que há de tão forte.
Escondendo se, procurando. Pesquisando, surpreendendo se.
Iludindo se, caindo na real.
Cometendo erros, tentando acertar.
Mascarando se, disfarçando se, omitindo se, assumindo se.
Revivendo... incompletamente, pois para sempre assim será (e esse pra sempre é imutável).
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Revivendo
Por Claudinha Azeredo
Revendo fotos que não tem mais, relendo textos que não tem mais.
Os papeizinhos já não possui mais também.
Revivendo uma idade que já não tem há tempos. Matando uma saudade que jamais deixou de sentir. Relembrando o que aconteceu, imaginando o que deixou de acontecer.
Fazendo o que poderia ter feito, e evitando outros feitos.
Pensando no que poderia ter dito, lembrando o que disse.
Relendo textos que fazem recordar, escrevendo um texto pra tentar esquecer.
Tentando evitar o inevitável. Ouvindo músicas antigas.
Lembrando que o tempo passou, e agora é tarde demais.
Tentando ser otimista e crer que nunca é tarde. Lembrando que sim, é realmente tarde.
Prestando a atenção na letra da música. Tentando fugir disso.
Tola tentativa de fuga! Falsa tentativa de fuga.
Escrever revivendo para substituir a palavra relenbrando.
Sentindo agonia e impotência. Sentindo medo de confessar os arrependimentos.
Ouvindo que “nem foi tempo perdido”. Lembrando do trecho que diz que “o pra sempre, sempre acaba”.
Sentindo frio, lembrando dos dias de calor.
De cara lavada, com sentimentos de um bêbado.
Pensando que poderia ter deixado de fazer certas coisas, lembrando que é impossível mudar totalmente o destino.
Sentindo raiva, por não ter sido a “carta marcada”. Usando a expressão carta marcada para substituir nomes próprios.
Fingindo que nada sente, tentando disfarçar o que há de tão forte.
Escondendo se, procurando. Pesquisando, surpreendendo se.
Iludindo se, caindo na real.
Cometendo erros, tentando acertar.
Mascarando se, disfarçando se, omitindo se, assumindo se.
Revivendo... incompletamente, pois para sempre assim será (e esse pra sempre é imutável).
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* Os trechos de músicas acima citados são de Renato Russo, das canções “Tempo Perdido” e “Por enquanto”, respectivamente.
Esse texto é dedicado a pessoas que alguma vez na vida já sentiram: inveja, arrependimento, vontade de mudar a realidade, vontade de mudar o passado, nostalgia, esperança, saudade da família do tempo da infância ou adolescência, pessoas que querem começar as mudanças na próxima segunda-feira, pessoas que são parcial ou totalmente felizes com seu presente, pessoas com ou sem esperança para seu futuro. Esse texto é dedicado para pessoas que já amaram ou amam alguma coisa ou alguém. Também é dedicado para pessoas que foram incapazes de perdoar e hoje sentem orgulho ou tristeza por isso. E por falar em tristeza, o texto acima também pode ser dedicado às pessoas tristes.





















