sexta-feira, 15 de abril de 2011

Abandono

Ela o resgatou e acolheu. Embora não tenha feito muito fez o que pode.
Ele no começo não gostou, mas foi se adaptando.
Ela estava feliz e orgulhosa, por vezes até cometeu luxuria.
Ele, embora satisfeito com a nova vida, vez ou outra se sentia incomodado com alguns cuidados dela.
Ela, às vezes deixava de se dedicar como merecera, mas nunca deixou de se preocupar.
Ele passou a se fortalecer, mas aquele cotidiano não lhe cabia.
Ela insistia em manter ele ali preso em seu novo lar.
Ele em momento algum pediu por um lar.
Ela achava que estava coberta de razão em apropriar se dele.
Ele não estava acostumado com aquela vida.
Ela achava que ele seria eternamente grato.
Ele tentava fugir.
Ela achava que as duas refeições diárias e os demais cuidados eram suficientes.
Ele queria voltar a ter liberdade.
Ela não entendia o que ele queria sofrendo na rua novamente.
Ele sabia que era na rua seu lugar.
Ela cuidou de sua pele, sua saúde.
Ele queria sua liberdade.
Ela já o amava.
Ele assim que teve oportunidade fugiu.
Ela ficou muito triste, mais que isso ficou muito preocupada.
Ele não mais voltou.
Ela procurou pelos arredores.
Ele fez o que julgou melhor pra si.
Ela entende o destino.
Ele recebeu o nome de Grêmio (por embora ter passado por muitos apertos da vida ser imortal).
Ela se chama Claudia Azeredo
Ele era ou é, um cão lindo ao olhar dela.
Ela se julga uma defensora dos animais.
O primeiro encontro foi em uma manhã de quinta feira. No domingo seguinte (07/02/2011) o cão foi resgatado da rua em péssimas condições.
Essa relação durou penas até 11 de abril, quando Grêmio fugiu sem deixar pistas.
Ficou então a saudade, a preocupação e a crença de que nada é por acaso. Fica também a certeza de que não somos donos de destino algum.

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