Você e seu melhor amigo, melhor confidente, melhor companheiro, melhor marido, namorado e tudo mais resolvem “dar um tempo” - indeterminado tempo - e sem muitos rodeios se despedem às 17:03 de um 15 de setembro.
Não há desespero, pouco choro por sua parte, rosto seco por parte dele. Por volta da 18h silenciosamente você grita e chora freneticamente. Ainda assim, você segue forte, firme e ciente que foi melhor assim. Muitos F5 no computador, mesmo sabendo que ele estaria off, você fica lá lendo, fumando, tentando se distrair.
Você entra em um site para assistir uns vídeos, coisa boa para passar o tempo. O site sugere vídeos relacionados aos últimos temas que assistiu e como os últimos foram assistidos por vocês dois, lembranças. Você supera, segue firme.
Em uma de suas redes sociais, você monta um álbum de fotos homenageando seu último amor, relembrando momentos de ½ década. Alguns amigos parabenizam e cumprimentam achando tratar-se de uma comemoração. Você sente vontade de pegar sua 125cc e correr aos braços dele. Você tem palavra, não foi esse o combinado, você tem de ficar quietinha em casa.
Horas e horas depois você finalmente consegue dormir.
Amanheceu em Viamão, você acorda, rodeia sua mãe e desabafa. Sua vestimenta é uma armadura pintada com vivas cores para demonstrar sua força e alegria.
As horas seguem passando, você tenta voltar a cantar, conversa com um ou outro amigo, procura o que fazer. Mais uns F5 e seu telefone segue lá, quieto. Sim, ele também tem palavra.
Você marca uma balada, se monta a sua maneira, pega sua 125cc e vai. Encontrando seus amigos você percebe o quão antiquada está. Seus alegres amigos lhe reformam, agora sim, linda e preparada você pode sair.
Vocês vão para uma conceituada casa dançar, se divertir e matar a cede. A noite está linda, temperatura agradável e tudo parece maravilhoso. Você recebe olhares, sim, você está linda! Não se deslumbra, não é mais guria.
Tudo ótimo, uma festa com hits “do seu tempo” e vídeos daqueles anos 90 para animar.
Há uma banda na festa! Sim, há uma banda animando a noite. Animando a noite de quem? Músicas dos anos 90 incluem Bom Jovi, uma banda inclui baterista e lá está você diante de um palco com músicos que não conhece, e olhando para o lado a todo instante esperando um comentário, uma avaliação dele com relação ao show. Não tem ninguém para lhe dizer se as músicas foram bem tiradas ou não. Ele não está lá, nunca estaria.
Você olha incansavelmente para o baterista e seus movimentos, este, porém não tem um Gato Felix tatuado no braço.
Sem perceber você começa a acompanhar as músicas dando “baquetadas no ar” por que diabos você faz isso? Você não sabe fazer isso.
Segue a festa, seus amigos dançam com você, pegam carona com você, isso é de incalculável valor para uma mulher que acredita no “Fecha os olhos, me da a mão, confia em mim.” E isso motiva muito você. Tudo segue correndo bem, embora você continue não sabendo se as músicas foram bem tiradas ou não.
Você se diverte como há muitos anos não fazia, pratica algo simples por livre e espontânea vontade. Tudo o que você quer é aproveitar cada minuto daquela noite.
Você aproveita que tem a responsabilidade de uma mulher de quase trinta e não há razão para se preocupar com mais nada lá fora.
A festa acaba, você com seus amigos estão quase saindo, mas não sem antes ouvir uma das últimas músicas da noite. Qual música? Mr. Jones de uma banda chamada Counting Crows (que você precisa consultar o Google pra saber escrever) lógico, mas que excelente forma de acabar a festa, uma música de uma das favoritas bandas dele, bobagem.
Você e seus amigos saem e naturalmente vão comer um lanche, alto astral, tudo bem, mas a fome não pode atrapalhar. A última vez que você saiu do Opinião com amigos para fazer um lanche foi há cinco anos, ele era seu amigo, seu apaixonante amigo. Ainda bem que sua memória é péssima e praticamente nada lhe fez pensar nele a noite toda.
Você sabe como ele ficaria animado se visse como você estava vestida e calçada, você pensa em tudo. Ah, não você não pensa não, não deve pensar.
A noite acabou, você dorme por duas horas sentada em um sofá, dá carona para um colega e vai pra casa.
No caminho de casa, passa por um irmão dele, olha para todos os lados na esperança de vê-lo e nada. Ainda bem, pois o combinado não foi esse.
Mais tarde, você vai passear, compra roupa nova, etc. Tudo segue bem. Já é sábado à tarde. Você dorme um pouco e vai ao mesmo supermercado de sempre.
Você descobre que aquele supermercado que por 05 anos vocês frequentaram não tem mais graça, você não quer estar ali.
Seu relógio aponta 17:03 e você pensa que já passaram as primeiras 48hs do tempo. Você volta pra casa, toma um chimarrão com seus pais e após alimentar os cachorros prefere se isolar em seu canto. Já é sábado à noite, é o primeiro sábado do tempo. Então você resolve postar algo em seu blog na segunda e terceira pessoa.
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